sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

.Nojo.

"Porque o nojento que sou aos olhos do mundo, deixa-me sem mácula aos olhos de Deus. Tranquilamente, sem mácula... Para o mundo, rotulado estou. Por Deus amado sou."
.erc.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

asas

                  nas asas do desejo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Eu sinto um vazio

O arco verga-se perante o vazio imenso que os céus albergam. 
A cor, façamo-la nós.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

9 anos de amor

Há nove anos enamorado por ti... e estou-te tão grato por cada momento em que me fizeste sorrir de felicidade,  bem como por aqueles em que, por ti, chorei de tristeza, porquanto esses dois estados de alma são as faces de uma mesma moeda, à qual se convencionou chamar paternidade...
Uns dias após o teu nascimento, um homem simples e de poucas letras disse-me:" agora já tem para quem trabalhar!..." 
Nunca me esqueci daquelas palavras... E que grande verdade este homem proferiu. Porque aquele "trabalhar" era muito mais do que uma referência a valores económicos ou financeiros. Era uma referência ao "trabalho" do amor, da educação, da moral, da ética, da dedicação... O qual se transforma depois em bondade, caridade, honestidade, coerência... Que te darão certamente robustez, para encarar a vida que tens pela frente, mesmo nos momentos das decisões mais difíceis. Como sabes, o açúcar e a canela combinam na perfeição... Mas há que saber procurar o equilíbrio dos aromas.
Há nove anos que "trabalho" contigo. Obrigado por "trabalhares" comigo também. 
Parabéns, querida!
Um grande beijo, com muito amor, do pai para a Guigui.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Nuage


n'est pas un nuage qui passe que mesure de cachet le soleil toujours.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

jardin abandonné

num dia em que o abandono se ajardinou...



«...O mon amour ! quel beau passé nous fut donné
Cependant ! Respirons sa bonne odeur de rose
Dans ce jardin où le souvenir se repose,
Dans le calme du beau jardin abandonné…»

Renée Vivien

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A melhor parte da nossa memória está deste modo fora de nós


pés desconhecidos nas margens de "La Dronne", Brantôme (França)

«...A melhor parte da nossa memória está deste modo fora de nós.
Está num ar de chuva, num cheiro a quarto fechado ou no de um primeiro fogaréu,
seja onde for que de nós mesmos encontremos aquilo que a nossa inteligência pusera de parte,
a última reserva do passado, a melhor,
aquela que, quando se esgotam todas as outras,
sabe ainda fazer-nos chorar.»
Marcel Proust, in 'A Fugitiva'

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

em dia de gelo... eu enregelo.


A Queda«E eu que sou o rei de toda esta incoerência, 
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la 
E giro até partir... Mas tudo me resvala 
Em bruma e sonolência. 

Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro, 
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso... 
Eu morro de desdém em frente dum tesouro, 
Morro á mingua, de excesso. 

Alteio-me na côr à fôrça de quebranto, 
Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!... 
Peneiro-me na sombra - em nada me condenso... 
Agonias de luz eu vibro ainda entanto. 

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar, 
- Vencer ás vezes é o mesmo que tombar - 
E como inda sou luz, num grande retrocesso, 
Em raivas ideais, ascendo até ao fim: 
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso... 

. . . . . . . . . . . . . . . 

Tombei... 
         E fico só esmagado sobre mim!...» 

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

tempo




Relógio Anker - Viena de Austria
TempoTempo — definição da angústia. 
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te 
Ao coração pulsátil dum poema! 
Era o devir eterno em harmonia. 
Mas foges das vogais, como a frescura 
Da tinta com que escrevo. 
Fica apenas a tua negra sombra: 
— O passado, 
Amargura maior, fotografada. 

Tempo... 
E não haver nada, 
Ninguém, 
Uma alma penada 
Que estrangule a ampulheta duma vez! 

Que realize o crime e a perfeição 
De cortar aquele fio movediço 
De areia 
Que nenhum tecelão 
É capaz de tecer na sua teia! 

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'